terça-feira, 23 de junho de 2009

Conceitos sobre percepção


As pessoas se relacionam dentro de uma organização, no meio social, seja onde for a partir de processos de comunicação. A dinâmica organizacional somente é possível quando a organização permite que todos os seus membros estejam devidamente conectados e integrados.


Neste Blog vamos sendo conduzidos a um passeio através das diferentes formas de como as pessoas percebem os estímulos externos - percepção humana - entendendo o seu sentindo. A palavra vem do latim per capiere e literalmente significa “obtido por captura ou captação” Chiavenato (2005) pág. 220. Quando se fala em percepção mencionamos aquilo que a pessoa percebe e interpreta acerca de seu ambiente externo.


De acordo com Chiavenato (2005), as pessoas se relacionam com o mundo exterior por meio dos órgãos sensoriais ( visão, audição, olfato, tato e gustação) e recebem estímulos externos,as sensações, transmitindo impulsos nervosos ao cérebro, que organiza e interpreta a informação proporcionando o que conhecemos como percepção.


Tendo em vista o conceito abordado pelo autor supracitado a vida nas organizações depende da maneira pela qual as pessoas percebem o seu entorno mediato e imediato, tomam suas decisões e assumem comportamentos. A percepção então se torna um processo ativo por meio do qual as pessoas organizam e interpretam suas impressões sensoriais para dar um significado ao ambiente que as rodeia. Trata-se de perceber a realidade e organizá-la em interpretações ou visões ao seu respeito, onde cada qual tem sua própria interpretação ou visão a respeito do mundo em que vive.


Segundo Robbins (2005), uma pessoa observa um alvo e tenta interpretar o que está se passando, e seu entendimento é fortemente influenciado pelas características pessoais do observador que são as atitudes, motivações, interesses, experiências passadas e expectativas. As características dos alvos também, podem afetar a percepção, pois, pessoas barulhentas chamam mais atenção do que as quietas. Já no contexto da situação, o cenário geral em que se passam eventos ou situações pode levar a percepções diferentes por parte das pessoas.


Para se explicar como as pessoas olham para uma coisa e cada uma percebe o estímulo que lhe são expostos de maneira diferente, uma série de fatores opera para moldar, e por vez distorcer a percepção, podendo estar tanto no observador, quanto no objeto, alvo da percepção, ou no contexto da situação em que se dá a percepção. Se observarmos a figura 1 abaixo, o objeto à esquerda pode parecer, à primeira vista, um vaso branco. Porém, se o branco for tomado como fundo, vemos dois perfis azuis. Da mesma forma, a uma primeira observação, o grupo de objetos à direita parece ser alguma figura modular contra um fundo branco. O exame mais atento revelará a palavra “ FLY”, se o fundo for definido como azul.



Figura: Ilustração da percepção

Fonte: Robbins (2000) Pg. 320

Ainda baseado nas afirmações de Robbins (2005), a teoria da atribuição foi proposta para explicar porque julgamos as pessoas diferentemente, conforme o sentido que atribuímos a um dado comportamento, procurando determinar se sua causa foi interna - quando comportamentos são vistos como os que estão sob o controle do indivíduo ou externa - determinada como resultante de estímulos de fora, ou seja, a pessoa é vista como se tivesse sido forçada aquele comportamento pela situação.
Ratificando a teoria supracitada, os administradores de uma organização podem fazer julgamentos de seus funcionários através de atribuições tentando desenvolver explicações sobre eles e as razões pelos quais se comportam da maneira como percebemos. Diante disso, os comportamentos relacionados com causas internas são percebidos como sob o controle do indivíduo, enquanto os comportamentos relacionados com causas externas são vistos como consequências de estímulos de fora, no qual a pessoa não tem outra alternativa naquela situação, esses julgamentos do comportamento das pessoas podem sofrer distorções, ou seja, podem passar por interferências.

A teoria da atribuição depende de três aspectos fundamentais, são eles:
1- Diferenciação - onde observa se a pessoa apresenta ou não comportamentos diferentes em situações diversificadas;

2- Consenso - se várias pessoas mostram a mesma reação a um fato similar;

3- Coerência - a onde o observador procura consistência e coerência nas ações das outras pessoas.

Percepção não identifica o mundo exterior como ele é na realidade, e sim como as transformações, efetuadas pelos nossos órgãos dos sentidos nos permitem reconhecê-lo. Assim é que transformamos fótons em imagens, vibrações em sons e ruídos e reações químicas em cheiros e gostos específicos. Na verdade, o universo é incolor, inodoro, insípido e silencioso, excluindo-se a possibilidade que temos de percebê-lo de outra forma.
Parafraseando Chiavenato (2005), quase sempre o que uma pessoa percebe pode ser fundamentalmente diferente da realidade objetiva. Às vezes, costumamos utilizar diversas simplificações quando julgamos as pessoas, surgindo fatores que podem distorcer a realidade transmitida. As principais distorções são:
· Percepção seletiva - onde as pessoas interpretam seletivamente o que vêem a partir de seus interesses, antecedentes, experiências e atitudes;
· Efeito halo - onde há um caráter generalizado da percepção;
· Projeção - no qual é atribuições das características próprias a outra pessoa;
· Estereótipo - sendo um juízo formulado a respeito de alguém, segundo o critério da percepção própria do grupo ao qual essa pessoa pertence;
· Efeito de contraste - avaliação das características de uma pessoa afetada pela comparação com outra pessoa.

Para Maximiano (2008), a dimensão julgamento-percepção refere-se ao modo como as pessoas lidam com o mundo exterior para solucionar os problemas, abrangendo a preferência pela reflexão, em contraposição à ação.

De acordo com Robbins (2000), os gerentes precisam entender que os funcionários reagem a percepções, e não à realidade. Diante disso, o fato de a avaliação de um funcionário feita por um gerente ser realmente objetiva e não enviesada ou de os níveis salariais da organização estarem realmente entre os mais altos no setor é menos relevante que aquilo que os funcionários percebem de fato.

De acordo com o que os autores propõem os gerentes precisam prestar muita atenção ao modo como os funcionários percebem seus cargos e as práticas gerenciais, pois distorções ou uma má comunicação naquilo que se pretende passar implicará ao julgamento não adequado do estímulo
Assim sendo, conclui-se que as pessoas se relacionam entre si, e com o mundo exterior através de seus órgãos sensoriais e se comportam de acordo com suas percepções. Muitas vezes o que as pessoas conseguem interpretar das informações que lhe são expostas não condizem com a realidade, e acabam fazendo julgamento dos estímulos exteriores diferentes do que na realidade ele apresenta, pelo fato da percepção ser subjetiva e sendo uma grande parte atribuída ao fator psicológico, como o estado de espírito, humor, motivação, entre outros fatores.

A percepção poder ser distorcida tanto aos olhos do observador como nas características do próprio alvo, ou até mesmo através do contexto que ela é observada, dependendo muito de pessoa para pessoa. No entanto, os gerentes devem analisar os comportamentos das pessoas que são seus colaboradores, e procurar entender suas reações de acordo com os fatos que sejam coerentes para não se fazer julgamentos errados. Afinal, cada pessoa tem uma maneira diferente de se comportar e enxergar a realidade que a rodeia e é motivada a agir de acordo com as interpretações que ela julga ter importância.




Referências


CHIAVENATO,Idalberto.Comportamento organizacional: a dinâmica e o sucesso das organizações.2.ed. Rio de Janeiro:Elsevier, 2005.
MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru.Teoria geral da administração: da revolução urbana á revolução digital. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2005.
ROBIBINS, Stephen P. Comportamento organizacional.São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005.
ROBBINS, Stephen Paul, Administração: mudanças e pespectivas. São Paulo: Saraiva 2000.

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